sábado, 2 de junho de 2012

Representações


Representação se aprende?!
    
    Desde a formação inicial até a continuada para professores é discutido que a aprendizagem só ocorre quando faz sentido para o educando. Da mesma forma acontece com a noção de cultura. Costumes e maneiras de se viver passam de geração em geração e são modificados ou não ao longo do tempo. A brincadeira de roda, o pião, a pipa, as bonecas de pano são exemplos de brinquedos existentes há gerações.
    Representações sociais também sofrem modificações ao longo do tempo. A exemplo do termo "mulher honesta" abolido da Constituição Federal, a descriminalização do adultério, a condenação por pedofilia, principalmente para homens que se envolvam com meninas de 13 a 16 anos, quando há poucas décadas era comum que meninas dessa faixa etária se casassem, a profissionalização da prostituição.
    Enfim, representações, assim como os costumes, são mutáveis ao longo do tempo e das gerações. São permeadas pela cultura onde estão envolvidas e quando fazem sentido para o grupo social onde estão inseridas, pode-se dizer que são aprendidas.

                                                                                                                                              Lis Lopes Dutra

Representações


Representação imposta à escola.

    Na escola pública atual, a todo momento limites são testados e atitudes são controladas. Há poucos anos, as atitudes controladas eram dos alunos, seja através do silêncio forçado, da falta de direito de emitir opiniões e até mesmo na falta de criticidade presente nos conteúdos escolares. Hoje em dia, por questões sociais, os alunos ganharam maiores direitos de se expor e ter suas opiniões validadas. 
    Porém, agora quem tem suas atitudes controladas são os professores. Se advertem um aluno, são advertidos ou ameaçados por seus responsáveis. Se realizam avaliação mais criteriosa, são assediados pela administração escolar. 
    A falta de recursos e investimentos torna a  escola um local desacreditado e desvalorizado.
    A falta do bom uso de seus direitos por parte dos estudantes e seus responsáveis faz o processo de ensino falir.
    Falta de autonomia e liberdade para o professor descredibiliza seu trabalho. 
    Estão postas e impostas as representações para os termos escola, professor aluno...
                                                        
                                                                                                                                        Lis Lopes Dutra

sexta-feira, 1 de junho de 2012

NANOTECNOLOGIA: LADO B


         Sugiro leitura prévia do post NANOTECNOLOGIA: LADO A.

      As inúmeras vantagens e possibilidades inovadoras do uso da nanotecnologia têm encantado a comunidade científico-tecnológica. Contudo, as pessoas ainda estão um pouco desacreditados de que estamos vivendo uma era de materialização daquela (antes) ficção científica que víamos apenas em filmes. Estamos sim! Nanopartículas possuem uma área superficial muito grande e, geralmente, apresentam propriedades mecânicas, ópticas ou químicas distintas de partículas e superfícies macroscópicas. Suas virtudes já foram bem exemplificadas no post LADO A.
Tudo isso é muito bonito. O problema é que as pessoas – e aqui vale a especificação de que essas pessoas são, na verdade, as grandes empresas investidoras dessa tecnologia – não estão dando a devida importância para os possíveis riscos provenientes desta inovação tecnológica. Belíssimas propagandas são veiculadas com intuito de difundir os benefícios, mas contarei pra vocês porque eles não divulgam os malefícios: sabia que vocês pensariam que eu diria que eles só querem vender seus produtos e lucrar com isso! Pois é, enganaram-se (em parte). Na verdade eles nem sabem quais são os malefícios. Não sabem, não querem saber e têm raiva de quem sabe! Agora sim: para quê investirão milhões para descobrir os motivos para não lucrar milhões? Não vale a pena.
Fato é que, mesmo sem (ou com poucos) estudos que definam os males desta nova ciência, nossos conhecimentos já consolidados nos permitem imaginar (e com bastante coerência) que os resíduos nanotecnológicos (“nanolixo”) se espalharão pela biosfera (pelos mares, pelos solos, pelos ares...) e não serão fáceis de serem encontrados/recolhidos. Eu ousaria dizer que será impossível encontrá-los, mas como estou vivendo uma era que seria impossível de ser vivida, não me atreverei a fazê-lo.
Nanorobôs injetadas na corrente sanguínea do homem para matar um vírus indesejado ou células cancerígenas serão eternamente benéficas a ele? Seu tamanho facilita sua entrada em células vivas também. E se forem excretados pelo homem, serão despejados nos esgotos/rios? E o novo lixo eletrônico, proveniente de máquinas que envelhecerão, o que se fará com ele? Estas perguntas ainda carecem de respostas.
“A contaminação do meio ambiente por nanomateriais com grande área superficial, boa resistência mecânica e atividade catalítica pode resultar na concentração de compostos tóxicos na superfície das nanopartículas, com posterior transporte no meio ambiente ou acúmulo ao longo da cadeia alimentar; na adsorção de biomoléculas, com consequente interferência em processos biológicos in vivo; numa maior resistência à degradação (portanto, maior persistência no meio ambiente) e em catálise de reações químicas indesejáveis no meio ambiente.” (Quina, 2004)
         Conclusão: a nanotecnologia é o mais novo inimigo da humanidade. Não! Apenas devemos explorar mais, em todos os aspectos, os saberes que envolvem essa tecnologia. Não podemos nos limitar aos seus efeitos mercadológicos. São apenas estes que norteiam as pesquisas das grandes empresas do mundo. É assim que o “globaritarismo” (termo criado pelo intelectual brasileiro Milton Santos) segue ditando as regras da nossa sociedade ocidental. Sou a favor das novas descobertas, da busca por elas. Porém, temos que fazê-lo com responsabilidade social e ambiental. Mas isso já é polêmica para outra postagem.

Fontes:
http://www.fundacentro.gov.br/conteudo.asp?D=NANO&C=1697&menuAberme=1523 (imagem copiada com extração de seus textos: acessado em 01/06/2012)

QUINA, F. H. . Nanotecnologia e o Meio Ambiente: Perspectivas e Riscos. Química Nova, v. 27, n. 6, p. 1028-1029, 2004.

NANOTECNOLOGIA: LADO A


                 Os avanços da ciência têm crescido exponencialmente nos últimos anos. Pode-se dizer que a nanotecnologia é o que tem de mais novo e mais promissor no que diz respeito às inovações tecnológicas. Aqui é válido diferenciar uma simples invenção de uma inovação. Apropriando-me de um exemplo dado em aula, pelo professor Barroco, a ciência pode criar uma caneta que venha sozinha para nossas mãos com um simples chamado: venha, caneta (é uma pena não poder, aqui, imitar a sonoplastia da caneta indo à mão)!  Esta caneta não será uma inovação, mas apenas uma invenção. Ela não servirá para ninguém. Será muito mais barato comprar uma caneta normal e pegá-la com as próprias mãos.
                Não encontrei um vídeo para a caneta, mas achei um vídeo que relata um bom exemplo de inovação tecnológica alcançada pelo uso/avanço da nanotecnologia. Tentemos deixar de lado o viés propagandista e de endeusamento americano, mas foquemos apenas no produto da obra.
                  Este exemplo deixa claro o quão avançada, imponente e importante é essa tecnologia. Ela já está presente em nosso dia a dia sem que percebamos em cosméticos, bolas de tênis e nos IPods, produzidos pela empresa americana Apple. Contudo, apesar de poder ser usada para definir se a bolinha de tênis quicou fora ou dentro da quadra, se o Botafogo fez o gol ou não (e ele fez!) ou termos um excelente computador de bolso, a nanotecnologia tem o poder de salvar vidas com introdução de nanopartículas que matarão as células cancerígenas num organismo. Tem o poder de dar a visão àquele que não pode enxergar. Tem o poder de alcançar o supostamente inalcançável.
                  Conclusão: a nanotecnologia é a mais nova maravilha da humanidade. Não! Tenhamos muita cautela com essa nova tecnologia. Há algum tempo, criamos a indústria e vimos o quão magnífica ela era! Passamos a produzir, produzir, produzir. Consumir, consumir, consumir. Depois percebemos que essa maravilha estava (está) acabando com o meio ambiente. Como diz o professor Alexandre Maia: peguemos a espada justiceira para que tenhamos uma visão além do alcance (Thundercats, 1985). Adorei essa citação acadêmica! Em meu próximo post falarei desse lado B da nanotecnologia.

Fonte do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=0Lsj_NXHfLw (acessado em 01/06/2012)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

REPRESENTAÇÃO: A CLAREZA DE QUE A QUÍMICA É ENSINADA POR MODELOS

Este post é continuação da postagem REPRESENTAÇÃO: UMA FERRAMENTA (TAMBÉM) QUÍMICA. Caso não o tenha lido, considero interessante que o faça antes de adentrar neste bate-papo.
Enquanto eu ensinava os modelos atômicos e a menina Júlia me perguntou se aquilo realmente existia, imediatamente me lembrei do livro “Alfabetização Científica”, de Attico Chassot. Apropriei-me de seus ensinamentos expostos no capítulo 12 da 4ª edição: “Procurando fazer imagens de um mundo quase imaginário”. Pedi a um aluno que me ajudasse a criar um modelo de um lápis para uma pessoa que nunca tinha visto esse objeto. O aluno utilizou o quadro branco e a caneta de quadro para fazer um desenho e explicou seu modelo. A turma, é claro, ainda não tinha entendido onde eu queria chegar. Pedi a outro aluno que fizesse, de forma detalhada, o modelo de uma lapiseira. A brincadeira começou a ficar engraçada! O aluno não fez um modelo tão inteligível para alguém que nunca tinha visto uma lapiseira, mas deu pra rirmos bastante.
Outro aluno foi para o quadro fazer o modelo de uma TV. A partir de indagações minhas, o modelo ficou muito bom, inclusive com botões on/off, para ajuste de volume, troca de canal e menu. Até o controle remoto apareceu! Perguntei à turma, então, se com aquele modelo seria possível que o interlocutor trocasse alguma placa defeituosa daquela TV. A turma começou a rir e disse que não. Pedi, então, que alguém ajustasse o modelo de forma que fosse possível. Brincadeiras à parte, ninguém se propôs a fazê-lo, pois não sabiam, assim como o professor que vos escreve. Disse a eles, então, que um modelo de algo é tão mais representativo da realidade quanto mais seu criador a conhece. Nós conhecemos muito bem uma TV, por fora.
Chegou a minha vez de entrar na brincadeira. Eu disse que iria verbalizar um modelo que explicasse o funcionamento das máquinas de servir refrigerantes.  Sugeri que dentro da máquina existe um anão que, ao receber a moeda, libera o refrigerante. A turma concordou que, para alguém que nunca tinha visto algo como aquela máquina, o modelo era bom. Sugeri um teste (e lembrei que os modelos são sempre submetidos a testes). Deixo a máquina desligada e coloco a moeda: a máquina não serve o refrigerante. E aí? Os alunos dizem que o modelo passa a estar falho. Digo que não. Na verdade, com a máquina desligada, suas luzes se apagam e, na escuridão, o anão não vê a moeda entrar. Por isso não libera a bebida. Eles concordam. Sugeri, então, que a máquina ficaria desligada por 3h. Religo a máquina, insiro a moeda e ela não serve o refrigerante imediatamente, só após algumas horas. Digo que o modelo ainda é bom. O anão, 3h no escuro, acabou dormindo. Depois de algumas horas, com a luz acesa e o barulho da máquina, ele acaba acordando e libera o refrigerante (na verdade a máquina só libera a bebida abaixo de certa temperatura). Último teste: deixemos a máquina desligada e lacrada por dois meses. Ao religarmos, depois de um tempo, a máquina serve o refrigerante. Concluímos, então, que o modelo do anão já não servia mais, pois o anão não teria resistido dois meses preso na máquina sem pelo menos ter bebido todo o refrigerante.
Chassot comenta que “(...) quando se fala em átomos, moléculas, reações químicas, etc., estamos nos referindo a realidades sobre as quais não conhecemos mais do que o resultado de algumas interações. Por isso, construímos modelos das mesmas, que são mais ou menos aproximados, em função do que conhecemos do modelado. Os modelos são importantes ferramentas de que dispomos para tentar compreender um mundo cujo acesso real é muito difícil.” Relato, então, que os modelos atômicos foram sendo aperfeiçoados de maneira parecida com a brincadeira que fizemos. E que o modelo que se usa hoje, que já está há muitos anos aceito como correto, representa bem a realidade menor que nanométrica da matéria. E aí lembro da nanotecnologia, mas essa já é uma discussão para outra postagem.

Fonte da imagem: 
http://norwoodfisher.blogspot.com.br/2011/09/infografico-maquina-de-refrigerante.html  
Acessada em 31/05/2012

REPRESENTAÇÃO: UMA FERRAMENTA (TAMBÉM) QUÍMICA

Outro dia, durante uma aula sobre modelos atômicos, fui questionado por uma aluna: “Professor, mas isso existe mesmo?”. Num documentário superinteressante, “Einstein – Muito Além da Relatividade”, pude perceber que Einstein respeitava os estudos, atuais na época, que tratavam das questões probabilísticas das partículas subatômicas. Contudo, o mito da física se mostrava certo de que, com o avançar da ciência, seria possível determinar/descrever precisamente quaisquer fenômenos deste universo micro. Hoje, a ideia de dualidade da (semi)matéria está ainda mais consolidada. E o princípio da incerteza de Heisenberg, 85 anos depois de sua explanação, permanece coerente.
De fato, é mais fácil ensinar a velocidade de um bloco ou de um carro (mundo macro) do que a velocidade de um fóton ou um elétron! É por isso que o tema “Representação” está tão intimamente ligado à química. Por exemplo: ao ensinar as funções da Química Orgânica, é interessante apresentar a vitamina C para nossos alunos. Não devemos aproximar a disciplina da realidade dos mesmos? Assim o fazemos! Todos vocês, que estão lendo esta postagem agora, concordarão que é muito natural o aluno perguntar se “isso” existe mesmo. Sejamos honestos: ele nunca viu essa “coisa”! A vitamina C que ele vê tem formato de comprimido efervescente. Já o carro... esse ele está sempre vendo. Vê, ainda, que o velocímetro mostra aquela mesma velocidade que o professor de física comentou na aula. Já a velocidade do elétron, citada pelo professor de química, está tão longe, tão longe... que fica mais perto da mentira do que da realidade do estudante.

Querem saber o que penso a respeito? Como não ouço a resposta, prefiro acreditar que querem. Penso que a química é ainda mais legal por conta disso! Penso que precisamos estimular essa curiosidade em nossos alunos. Devemos deixar claro que os símbolos utilizados por essa bela ciência estão postos para tentar representar a realidade. Devemos estimulá-los a ativarem sua criatividade para enxergar os átomos, as moléculas e as reações químicas nessas “coisas” que têm a função de representação simbólica, não indicial. Querem uma sugestão de como fazê-lo? Agora lhes darei o livre arbítrio de lerem (ou não) minha próxima postagem, pois vou sugerir que façam o que fiz para responder minha aluna questionadora.


Semiótica: o Verde
As cores despertam sentimentos e idéias que associamos a elas, desse modo, são elementos plásticos que possibilitam efeitos de sentido que podem ser divididos em categorias opositivas, como quente-frio, claro-escuro, alegre-triste, sério-engraçado etc.
No estudo das cores o verde tem como característica ser estimulante, mas com pouca força sugestiva; oferecendo uma sensação de repouso. É indicado para anúncios que caracterizam o frio, azeites, verduras e semelhantes.
O verde é a cor do momento e ganhou um novo significado: Meio Ambiente. Percebemos o verde estampado em embalagens de produtos, em pano de fundo de páginas na internet. Tudo isso para aliar as marcas a questão ambiental e atrair cada vez mais clientes.
Mesmo com todo esse movimento acontecendo ainda não se percebe uma mudança radical nos meios de produção. Será que o verde é suficiente para conquistar o consumidor? Onde fica a responsabilidade da empresa com o Meio Ambiente?